sábado, 12 de março de 2011

DEVANEIOS OU NÃO

Como se a cabeça atravessasse a estratosfera
Com os pés ainda firmes, cravados no chão
Ou como se o coração que habita a fera
Esquecesse o corpo fera ao cair em comoção.

É como se o corpo não saísse de uma esfera
E a mente se afundasse na cratera de um vulcão.
O devaneio ou alucinação é mera intervenção
Da arte que, com razão, da razão se apodera.

Da quimera que quando vem ao chão se parte
Se ergue a dolorosa visão que pesa e mata
E a própria vida surge e à quimera desacata.

É o que não se ata - e se atado não desata -
E por ser ingrata a vida que de tudo toma parte
Os pés choram pela terra e cabeça ri-se em arte.

Danilo del Monte

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