terça-feira, 12 de abril de 2011

FARSA HISTÓRICA?



                Como se transforma um indivíduo, que por mais inspirador que tenha sido, era um indivíduo, em um rei? Ou, indo mais além, um filho de deus? E mais além ainda, como transformar esse homem numa divindade absoluta numa região em que já estavam bem difundidas as religiões pagãs, desde àquelas herdadas da antiga Grécia, até a religião egípcia onde se cultuava o deus Sol? Seja como for, foi feito com maestria e o que pode ser a maior farsa da história da humanidade foi tão bem cultivado nas cabeças, que se tornou verdade.
                A psicologia é simples, a religião nova é aceita desde que seja interpretada como uma mera evolução da antiga, e não uma revolução divina. Jesus Cristo herdou sua história das diversas religiões do mediterrâneo, e estas, por sua vez, herdaram da egípcia, onde se venerava Hórus. Se um Cristo humano e histórico deveras existiu ou se é mera personificação do Sol, fica para “Zeitgeist” e suas teorias astronômicas (plausíveis, diga-se de passagem). Retratemos aqui apenas a coincidência da biografia ou o plágio da era.
Representação de Hórus 

AS COINCIDÊNCIAS ENTRE HÓRUS E CRISTO

Hórus nasceu a 3 mil anos antes de Cristo e, segundo sua mitologia, é o messias solar que luta contra o messias das trevas, Seth. Hórus veio ao mundo aos 25 de Dezembro, numa caverna / manjedoura. É filho de Ísis-Meri, uma virgem. Ao nascer, três reis seguiram a estrela do oriente que anunciava o evento. Aos 12 anos começou a pregar e difundir seus ensinamentos e aos 30 foi batizado, após uma ausência de 18 anos. Em sua peregrinação, teve 12 fiéis discípulos, expulsou demônios, ressuscitou El-Azarus e andou sobre as águas. Hórus foi traído por Tifão, como Jesus por Judas, foi crucificado e após três dias, ressuscitou. A semelhança ou não semelhança ainda acontece nos títulos atribuídos a Hórus “O Caminho”, “A Verdade”, “ A Luz”, “Bom Pastor”, “O Ungido”, “Filho do Homem” dentro outros.

                No entanto, não é apenas em Hórus que encontramos esses diversos paralelos com a história de Jesus. O Messias Attis, na Frígia, nasce a 25 de Dezembro da virgem Nana e passa por martírio, traição e calvário. Krishna, de 900 a.C, na Índia, nasce da virgem Devaki, também no mesmo dia. O mesmo acontece a Dionísio, na Grécia, de 500 a.C.
                Aceitando a teoria de que um Cristo histórico deveras existiu, tudo isso se explica politicamente, com a necessidade de um povo aceitar o novo “salvador” que lhe era imposto e, para isso, características de suas velhas idolatrias eram necessárias. Então o nosso messias não passa de fabricação da mídia romana, transformando em deus alguém que apenas era homem, ainda que líder, que revolucionário, que inspirador, mas homem.
                As fontes históricas sobre as biografias de deuses pagãos nunca são seguras, mas também não merece maior crédito a nossa bíblia, e entre as centenas de fatores que a fazem cair em descrédito, ressalto um: A qualidade magistral de sua escritura. Um documento da mais alta literatura, que só pode ter sido escrito por sábios dominantes das letras, escritores, poetas, que nas épocas relatadas mantinham o poder da sociedade, e pela sagacidade demonstrada, possuíam a capacidade de criar lendas ou copiá-las e pregá-las pela retórica.
                O fato é que, seja como for, o cristianismo só ganhou força quase 400 anos após a morte de Jesus, se é que esse existiu, quando o romano Constantino resolveu unificar Roma sob uma única religião, e esta abriu espaço pelo planeta a custa de muito sangue e golpes geniais, e até hoje ainda é perigoso contestá-la. Seja como for que a história aconteceu, se personagem histórico ou simples mito, se filho de deus (qual deus ou quê deus?) ou humano inspirador, ele está aí, nas mentes, nas ideias, e é nocivo tanto quanto consolador.
             
              E por que razão não haveriam de ser Krishna, Hórus ou Dionísio tão reais quanto o redentor?

Danilo del Monte
11 de Abril de 2011






2 comentários:

  1. Massa cara.
    Tem muito sentido mesmo.
    Agora... vai falar isso para alguns cristãos para vc ver!!! Alguns vão querer te comer vivo.
    Parabéns.

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  2. Quando iniciei minha pesquisa diletante acerca da origem do cristianismo, eu já tinha uma ideia formada que pode parecer esdrúxula: a perseguição aos judeus. Portanto, nada de Bíblia, teologia e história das religiões. Todos os que haviam explorado esse caminho haviam chegado à conclusão alguma. Contidos num cercadinho intelectual, no máximo, sabiam que o que se pensava saber não era verdade. É isso o que a nossa cultura espera de nós, pois não tolera indiscrições. Como o mundo não havia parado para que o Novo Testamento fosse escrito, o que esse mesmo mundo poderia me contar a respeito dessa curiosidade histórica? Afinal, o que acontecia nos quatro primeiros séculos no mundo greco-romano, entre gregos, romanos e judeus? Ao comentar o livro “Jesus existiu ou não?”, de Bart D. Ehrman, exponho algumas das conclusões as quais cheguei e as quais o meio acadêmico de forma protecionista insiste ignorar.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

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